sexta-feira, 28 de agosto de 2009

S.Jorge


Numa casa desconhecida encontro o meu conforto.
Estranhamente familiar, curiosamente bom.
Habitat alheio, novo, fantástico!
Parte de um, o todo de todos.
Cada qual com a sua vida, cada qual na vida de cada um, "todos juntos num só caminho"!
Entre isto e aquilo, entre qualquer coisa... ou, até mesmo, entre coisa nenhuma, conversas surgem, conhecimentos são travados, afinidades adquiridas.
O sentimento "saudade" surge mesmo antes da partida, a ânsia de voltar aloja-se como um bichinho atrás da orelha, como que uma premonição.
A escolha foi fácil, valeu a pena... e se a pergunta "Vais voltar?" surgir, a resposta será:
"Sem dúvida!"

Até à próxima, S.jorge.
(:

Pi.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

My maniac and I.


Dançarinos num mar de cores doidas..
Loucas!
Perdidos nos braços de uma harmonia musical, dançam, de tão bons dançarinos que são.
Se o mar fosse uma pauta, por certo, eles seriam as notas musicais...
Se o mar fosse o céu, por certo, eles seriam as nuvens...
Mas sendo que o mar é ele mesmo, e nada mais, eles são, por certo, aqueles dois dançarinos inseparáveis, que se movem ao sabor das ondas como quem se move ao sabor do vento.
A controvérsia inerente a eles fascina quem os consegue alcançar visualmente... Não são apenas dois dançarinos que dançam...
São os dançarinos, aqueles que se amam e fazem amar quem os vê..
Como as ninfas que deslumbram marinheiros, eles deixam apaixonar e perder-se em sonhos quem quer que tenha a sorte de parar para os ver.
São acessíveis a todos, mas só alguns tem a predisposição necessária para os alcançar.
Não que eles sejam seres alados ou celestes, pois não são eles que se têm de deixar ver, cada um, por si só, é que tem de ter essa vontade... Eles, quando a sentem, apenas a satisfazem.

E assim são eles, apaixonados, apaixonantes...

Pi.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Astronauta.


E se hoje metesses o pé em cima de uma pastilha elástica?
E se hoje te piscassem o olho?
E se hoje recebesses uma encomenda?
E se hoje te virassem a cara?
E se hoje te sujasses de tinta?
E se hoje te dessem um abraço enorme?
E se hoje levasses uma picada de abelha?
E se hoje visses o arco-iris?
E se hoje te dessem um beijinho na testa?
E se hoje levasses com uma bolada na barriga?
E se hoje não tivesses saído da cama?
E se hoje chovesse?
E se hoje fizesse sol?
E se hoje for apenas o dia depois de ontem e antes de amanhã?



E se eu hoje te perguntasse:
'Queres vir comigo para o mundo da Lua?'...


(:


Pi.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Quero ser cor-de-laranja!

Pigmentos de tinta que borram ao mínimo descuido.
Rascunhos momentâneos de vidas julgadas vividas.
Chamas partilhadas, a mim passou-me ao lado.
Quem é que, depois do peso do amor, não escolhe a leveza de um sorriso?!
A mim passou-me ao lado.
Anseio que acordes, um dia, com o peso de que escolheste a leveza, julgando certa a tua escolha errada, feliz na tua ilusão.
Afinal, não é assim tão complexo como Teoremas de Pitágoras, ângulos de rectas paralelas ou triângulos adjacentes, só te quero feliz.
Pois, a mim, passou-me ao lado.
Sacodes o polaroid que tens na mão, mas apenas te deparas com o preto monocromático, vês a vida na palma da tua mão!
Quero ser cor-de-laranja!



Patrícia Moreira.

sábado, 18 de abril de 2009

The brainwasher.


Em cima da nuvem branco-sujo, passeia por uma espécie de túnel com cores néon, o tão fantástico caleidoscópio, viaja, viaja...

Oh! Parece que anda dentro da máquina-de-lavar-roupa... Voltas e voltinhas, rodopios, giros... Sem nunca perder a noção das cores néon envolventes.

Parece um corredor sem fim, uma viagem sem destino á vista.

Oh! De repente, sem aviso, surgem zebras cor-de-rosa e verdes, leopardos azuis e brancos e girafas roxas e amarelas!

Na sua nuvem branco-sujo viaja por um mundo estranhamente colorido, estranhamente... Estranho!

E gosta.

Rodopia, gira, gira, gira, e viaja, a grande velocidade, mas sem que as coisas (coisas?) e tudo (tudo?) o que vai surgindo perca nitidez.

Oh! E ri-se á gargalhada. De pura vontade!

Aqueles animaizinhos estranhos (bizarros), aquela nuvem branco-sujo, tudo aquilo estranhamente estranho, estranhamente familiar e estranhamente bom, tudo aquilo lhe enchia as medidas, não havia espaço para mais nada.

Viu o mar, era azul metalizado, e o sol, esse sempre amarelo, ao bater no mar fazia com que ele ganhasse reflexos de todas as cores (néon) possiveis e imagináveis.

Sim! Era assim que, com 18 anos, ela via o mundo!

Pessoas a negativo, mas negativo néon! Nada seria como era!

Sim, com 18 anos, ela via o mundo assim.

Oh... mas... 18 anos é o que ela tem agora... 18 anos é o que tenho agora.



Patrícia Moreira.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Kuroi Ame.


Adormeci embrenhada nas páginas que tu me indicaste.
Por volta das 5 da tarde, acordo com o som da campainha a tocar.
Pensei que eras tu.
Odeio o peso de não te ter sussurrado ao ouvido um "até logo".



Patrícia Moreira.
21.3.2009

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Look at the mirror...


Ela hoje sentia um misto de sentimentos. Pareceu-lhe que nunca havia experimentado algo semelhante.
Afinal, o que era aquilo?
Parecia ser a verdadeira junkee, que depende daquela dose para se sentir… uhm… para se sentir, somente.
Seria amor e felicidade o que estava a experimentar?! Se fosse ela sabia uma, e apenas uma, coisa… Não quereria que aquele sentimento desvanecesse… Naquele momento o racional não funcionou… O emocional alojou-se sem aviso.
No entanto, pouco tardou para que o racional começasse a dar sinais de vida… Latejava na mente sob a forma de uma tortura insuportável.
‘Quais serão os malefícios de tamanha felicidade?!’ – foi a pergunta que lhe passou de flash pela cabeça… Seria da moca?! – ‘Foda-se, maldito charuto… Já alucino! Será tudo assim?! Uma mistura de Céu com Inferno?! Unidos, únicos… Um só… Ying e yang?! Sempre juntos?! Terá sempre o Bem de ser equilibrado com o Mal?!’ – Ela estava toda charrada, mas sabia-se com razão, apesar de tudo.
Hoje sentia-se tão bem e tão mal! Hoje experimentava a felicidade-mor e a tristeza avassaladora! Hoje estava tão completa e tão vazia!
Não é justo que a felicidade implique sacrifícios…
Ela só queria que tudo fosse como nos contos de fadas…
Fantasiava tanto.
Era uma autêntica criança.
Mas hoje ela magoara alguém… E isso custou-lhe pela vida.
No entanto… Não negou a felicidade que sentia… E escolheu continuar a senti-la.
Quais as suas razões?!

***

– ‘Well, who needs reasons when you’ve got heroine?!’



Patrícia Moreira